Sex, 11 de Novembro de 2011 22:28
RIO DE JANERO - Para o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, a prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na Favela da Rocinha, não pode ser vista como "troféu de guerra". Ele confirmou, nessa sexta-feira (11), que a ocupação definitiva da Rocinha, na Zona Sul do Rio, terá início na madrugada deste domingo (13). Segundo o secretário, a decisão foi tomada durante a manhã, após reunião com entidades.
"Vai ser na madrugada de domingo, considerando que aquela área e outras estão cercadas, nós vamos implantar definitivamente a UPP da Rocinha", afirmou. Ao ser questionado sobre a presença de policiais de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, na operação que culminou na prisão do traficante Nem, Beltrame afirmou que não tem conhecimento de quem foi a determinação. "Tem que perguntar para quem os chamou. Em segundo lugar, nós não podemos fazer da figura deste traficante um troféu de guerra. O troféu do Rio de Janeiro é o troféu da quebra de paradigma de território", afirmou.
Nem foi preso na madrugada de quinta-feira (10), enquanto tentava fugir no porta-malas de um carro. A entrevista foi concedida na sede do Batalhão da Polícia de Choque, no Estácio, onde Beltrame acompanhou o lançamento do projeto Garupa, que forneceu à corporação motocicletas, novos capacetes, coletes, armas não-letais e outros equipamentos para melhor comunicação dos policiais.
Delação premiada
Sobre reportagem da edição desta sexta do jornal "O Globo", que diz que o traficante, em depoimento à Polícia Federal, contou que metade de tudo o que arrecadava era gasto com propinas para policiais civis e militares, Beltrame disse que não descarta delação premiada para Nem. "Isso é uma atitude que pode fazer ele vir a contribuir com a sociedade", disse. "Eu faço votos de que essa pessoa revele o que ela sabe, tanto no desvio de conduta de agentes públicos, quanto na arquitetura do tráfico (...) Qualquer informação que essa pessoa possa vir a dar num depoimento, seja onde for, para quem for, pode sem dúvida nenhuma incitar e nos projetar para uma investigação onde a gente tenha resultados práticos", completou o secretário.
Beltrame contou que Nem está sendo ouvido pela Corregedoria em Bangu. Ele disse ainda que cada ocupação exige uma estratégia diferente, ao ser questionado sobre o motivo de o cerco à Rocinha ter começado dias antes da ocupação. "Esta foi a estratégia para a Rocinha. A próxima nós vamos ter que ver", explicou.
O secretário afirmou também que operação está muito bem delineada e que vários aspectos foram tratados, principalmente a segurança da população. "Nas UPPs anteriores não precisamos disparar nenhum tiro, e nós esperamos que seja isso que aconteça. Mas nós contamos com uma variável que nós não temos, que é a intenção do criminoso, do bandido que está lá dentro", disse Beltrame.
G1/Liberdade FM