Dom, 07 de Agosto de 2011 13:59
São poucas as pessoas que conseguem resistir ao cheiro do café recém-preparado pela manhã ou durante a tarde. A bebida, praticamente universal, ganha significados e acompanhamentos diferentes de acordo com cada cultura e região. O café pode tanto representar encontros empresariais quanto a hospitalidade nas fazendas mineiras, acompanhado de pão de queijo e outros quitutes. Não é à toa que ele lidera o ranking da média de consumo diário per capita de itens avaliados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), à frente do feijão e do arroz. Segundo a pesquisa, cada pessoa bebe, em média, 215,1 ml de café diariamente, ou seja, pouco mais de quatro xícaras de café por dia.
O protagonismo da bebida nos hábitos de consumo no Brasil e fora do país desperta dúvidas sobre seus benefícios e malefícios, o que tem interessado cada vez mais pesquisadores, e os estudos feitos sobre o tema indicam que o café, se consumido moderadamente, é benéfico para a saúde e para o cotidiano das pessoas, como confirma o empresário Fabrizzio Sanseverino, que toma diariamente o café e afirma que fica mais concentrado em suas atividades durante o dia. Em 2005, o Instituto do Coração (Incor-USP) montou, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), a unidade Café e Coração, destinada apenas ao estudo da relação entre café e saúde.
Pesquisas têm sido conduzidas com pacientes que já tiveram infarto, diabéticos e com pessoas saudáveis. De acordo com o médico cardiologista e coordenador da unidade, Miguel Moretti, não há resultados conclusivos, porque os efeitos do consumo do café na saúde das pessoas devem ser avaliados em longo prazo, mas é possível dizer que “o café tem muito mais efeitos benéficos para a saúde quando consumido com moderação”. O consumo diário recomendado por Moretti é de 400 mg a 500 mg de cafeína, uma das substâncias presentes no café, o equivalente a quatro ou cinco xícaras de 50 ml de café por dia. Nesta quantidade, segundo Moretti, a bebida é benéfica ao sistema cardiocirculatório. Ainda de acordo com Moretti, a avaliação dos efeitos do café na saúde humana e a recomendação para seu consumo dependem do tipo de torra e da forma de preparo dele. “O café não filtrado está relacionado aos aumentos do colesterol e do risco de doenças coronárias, e o café com torra mais escura tem mais propensão a elevar a pressão arterial das pessoas que o consomem”, disse. Unidade do Incor fará estudo em larga escala O próximo passo da unidade Café e Coração do Instituto do Coração (Incor-Usp) será desenvolver um estudo do consumo do café feito em larga escala no país para, segundo o cardiologista e coordenador da unidade, Miguel Moretti, entender melhor o efeito dele nos brasileiros. “Os testes feitos até o momento foram em laboratório, mas precisamos de amostras maiores, considerando o consumo anual de café por pessoa”, afirmou. De acordo com Moretti, em países onde o consumo de café é maior, é possível traçar epidemiologicamente a relação entre este produto e outros fatores de risco, como o cigarro e o sedentarismo.
Segundo Moretti, o projeto deste estudo está em fase de coleta de recursos e aprovação, mas a previsão é que ele comece no Estado de São Paulo e que gere resultados após dois anos de duração. Excesso de cafeína afeta o humor Estudos internacionais feitos sobre o café consumido sem ser filtrado indicaram que a administração aguda de cafeína, uma das substâncias presentes no café, afetou o humor e o padrão do sono dos voluntários participantes das pesquisas, o que não aconteceu quando o consumo foi moderado. O empresário Fabrizzio Sanseverino consome cerca de dez xícaras da bebida por dia. Este costume foi adquirido por ele quando ainda era jovem e, segundo Sanseverino, o ajuda a ficar mais atento. “Não tenho gastrite nem problemas para dormir por causa do café. Ele me deixa mais esperto”, afirmou. Orientação No caso de pessoas sensíveis aos efeitos da cafeína, o cardiologista e coordenador da unidade Saúde e Coração do Instituto do Coração (Incor-USP), Miguel Moretti, sugere o consumo de café descafeinado. Curiosidades - Dose diária de café recomendada: 400 mg a 500 mg de cafeína, o equivalente a quatro ou cinco xícaras de 50 ml de café Fonte: Unidade Saúde e Coração do Instituto do Coração (Incor-USP) - Consumo médio de café no Brasil: 5 kg de café por ano - Compostos do café: cafeína e vários minerais como potássio, zinco, ferro, magnésio, embora em pequenas quantidades, aminoácidos, proteínas, lipídeos, açúcares, polissacarídeos e polifenóis antioxidantes, chamados ácidos clorogênicos. - Durante a torra do café, os ácidos clorogênicos formam novos compostos bioativos: os quinídeos - É nessa etapa também que as proteínas, aminoácidos, lipídeos e açúcares formam os quase mil compostos voláteis responsáveis pelo aroma característico do café Modo de preparo Confira o modo indicado pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC)
No coador de pano:
No filtro de papel:
Correio de Uberlândia On-Line/Liberdade FM de FM